Decidí ligar pra ele de um outro número, um que ele não conhecesse e eu pudesse falar com ele de uma vez por todas! Liguei e não foi a melhor das ligações, nós brigamos muito feio, e ele disse coisas bem ruins sobre nós dois, disse que tudo tinha entre nós havia acabado, essas coisas...
Tudo mudou quando eu disse que eu estava grávida. Ele já sabia, mas acho que não havia acreditado, ou levado a sério porquê pareceu ser um choque pra ele. Ele parou imediatamente de gritar e ficou calado. Eu já estava chorando horrores, então fiquei calada também, só esperando a reação dele. Quando ele finalmente falou alguma coisa, ele disse que era responsabilidade minha, que eu estava estragando a minha vida, por alimentar essa vontade de ter esse bebê e tudo mais. Foi quando ele disse que eu tinha que tirar, que abortar, que matar meu filho! Eu chorei bastante, mas eu aceitei, porquê eu não queria que ele fosse embora da minha vida de novo.
A partir desse dia, nós dois voltamos a nos falar bem devagar e aos poucos. Eu já estava bem satisfeita, embora nossas conversas ainda fossem todas sobre remédios que eu poderia tomar pra tirar o nosso filho... Na minha cabeça já era um começo, mas enfim... Minha barriga já estava começando a aparecer, embora ela ainda fosse bem pequenina, e só eu notasse a diferença. Me pegava acariciando, falando, conversando com aquele serzinho que crescia dentro de mim! Eu nem sabia, mas eu já o amava. Ainda acreditava na possibilidade de o Marcos Paulo mudar de ideia, acreditava que nós ainda pudessemos ser uma família e tudo mais! Apenas sonhos...
Nós nos encontravamos regularmente e acabamos voltando a namorar. Um certo dia, ele me acordou com uma ligação. Ele estava no centro da cidade com um amigo, andando de farmácia em farmácia perguntando sobre remédios fortes que pudessem fazer o aborto. Ele estava bem exaltado e começou a gritar, perguntando se eu sabia de algum nome de remédio, e ficava jogando na minha cara que aquilo tudo era culpa minha, que era eu quem deveria estar lá "dando um jeito". Ele comprou o remédio e me chamou na casa dele, pra explicar como se tomava o remédio. Acabei dormindo na casa dele, e fiquei lá por uns 3 ou 4 dias. Combinamos que quando eu voltasse em casa, eu tomaria o remédio e fingiria passar mal e estar com uma hemorragia.
Passaram-se algundsdias, e a minha barriga foi crescendo, Eu comecei a desconfiar de que ele pudesse estar me traindo e começaram as discursões e brigas. Em uma dessas brigas, ele acabou terminando comigo de novo, e eu chorei bastante. Passou pela minha cabeça que pudesse ser culpa do bebê. Abrí minha bolsa, peguei o remédio e tomei todo o líquido. Joguei o vidro vazio nele e gritei: -"Pronto! Se era esse o problema, ele acabou!"