06 maio 2012

Minha História: me, myself and I.

Depois que decidí levar minha vida adiante, foi tudo mais calmo... Agendei uma consulta com a obstetra e fui. Chegando lá, ela me pesou e passou alguns exames entre eles uma ultrassonografia. Eu estava super nervosa, nem sabia o que pensar. estava com tanto medo de ter acontecido alguma coisa com o meu bebê por causa daquele remédio estúpido que eu tinha tomado! Queria me esmurrar, me bater, me socar! Eu nunca me perdoaria se eu tivesse feito algum mal à aquela criança. Passei um bom tempo orando e pedindo perdão pra Deus! Só sabia pedir desculpas e implorar pra que meu filho fosse saudável.
Eu estava me sentindo uma idiota por ter tentado o aborto. Como eu pude ser tão cruel? Meu coração doía muito, e eu por diversas vezes chorei demais. Eu era o monstro. No dia da minha ultrassonografia, foi o dia mais tenso que já passei de todos até agora! A sala de espera era fria e havia muitas mulheres alí. Muitas delas me olhavam torto, fazendo caras de reprovação. Como se eu tivesse cometido algum crime, ou coisa assim! Eu gostaria muito de ir embora, de simplesmente sumir dalí. Daquele mundo onde todos me tratavam com preconceito em pleno século 21. Eu estava me sentindo sozinha. Vendo todas aquelas mulheres com seus maridos e filhos mais velhos, todos muito ansiosos, enquanto eu só estava nervosa. Só isso.
No meu celular, começou a chegar milhões de mensagens de texto do Marcos Paulo, perguntando sobre o bebê, como ele estava, se ele estava vivo e essas coisas. Eu não sabia se respondia, porquê na verdade eu estava com muita raiva dele. Pra alguém que não se importava, até que ele estava conseguindo me perturbar. Então eu pensei bem... Eu não estava mais pensando em mim, estava pensando no bebê e de jeito nenhum gostaria que ele fosse uma criança sem pai. Respondi com calma e um toque de frieza que ainda estava na sala de espera, que era pra ele parar de se afobar daquele jeito! Eu esperei por mais alguns minutos até que ouví a voz de uma mulher chamar meu nome. Meu coração acelerou a mil por hora e eu entrei. A sala da médica, era escura e muito gelada. Ela perguntou minha idade e perguntou se o pai da criança não iria entrar. (incoveniente, jamais!) Fiquei sem jeito e disse que eu estava sozinha. Ela mandou eu tirar a calça jeans e me deitar sobre uma cama, em seguida passou um gelzinho super ultra mega gelado na minha barriga que me fez tremer ainda mais! Em questão de milésimos de segundos eu ví... eu me apaixonei.

Minha História: Nem tudo é um mar de rosas.

No dia seguinte, me arrumei e fui á casa da minha mãe, fazer a tal visita. Eu mal cheguei e ela foi logo me despindo kkkkk eu disse que não era certeza, que eu só achava que eu estava grávida. Foi então que ela começou os exames no meu corpo. Primeiro me mandou deitar na cama e levantar a blusa, depois quis ver meu peito (momento vergonha total) e então saiu o resultado: -"Minha filha, eu te mato! Eu vou ser avó!!!"
Bom, depois disso, eu só tive uma certeza: uma já foi. Agora faltava o resto da família. Eu já sabia que isso não ia ser nem um pouco simples. Grande parte da minha família é evangélica, e muitos deles são rígidos com essa coisa de sexo só depois do casamento. Na minha família, não há nenhum caso recente de gravidez na adolescência, e ninguém esperava que isso iria acontecer logo comigo. Pois bem, eu voltei pra casa e não pude me conter! Corrí pro meu notebook e fui direto pro Facebook contar pra algumas amigas! Ouví muuuuuitas coisas ruins, muita gente me colocou pra baixo, mas também houveram muitas pessoas que me deixaram extremamente feliz, me falando palavras positivas e etc. Bom, fui contar pra alguns amigos do Marcos Paulo, que se tornaram meus amigos depois de algum tempo de namoro. Todos eles foram m uito atenciosos e me ajudaram muito, me deram muito apoio! Isso foi muito bom pra mim, porquê apesar de ter o apoio da minha mãe e do meu pai, eu ainda sentia muita falta do Marcos Paulo. Gostaria que ele estivesse alí comigo, curtindo tudo e sendo presente. Mas ele não estava alí, e a cada segundo que se passava, eu acreditava que ele nunca mais voltaria pra mim, que ele nunca seria meu marido, e que todos os planos que eu tinha com ele, não iriam se realizar! Ainda mais depois que eu fiquei sabendo que ele estava namorando outra menina, e que estava feliz com ela. Fiquei arrasada, e acabei desabafando nos meus amigos (que tambem são amigos dele) e falando sobre o que eu estava sentindo, que achava que ele não iria assumir e eu iria acabar sozinha com uma criança sem pai.
Até que um dia ele me liga e começa a me brigar por estar contando pra todo mundo, e por estar falando que ele não iria me assumir. Ele me falou mais algumas coisas sobre isso, e depois se acalmou e conversamos como pessoas civilizadas. Ele me disse que iria assumir o bebê, mas que não seria muito presente, que iria apenas estar em festas de aniversário, natal e essas coisas. Porquê ele não queria estar comigo! Eu fiquei chocada e comecei a gritar. Disse que meu filho não precisava de um pai a distância, que eu queria um pai alí presente! Mas não adiantou ficar alí batendo cabeça e discutindo... Marcos Paulo continuou sendo esse idiota completo por mais alguns dias. Eu já estava começando a me cansar e tomei a decisão de deixar pra lá. Decidí que minha vida pessoal poderia esperar, que o mais importante agora era eu me dedicar total e completamente ao meu bebê.

Minha História: Quando tudo vem a tona.

Bom, a vovó viajou e eu fiquei naquela casa enorme, só eu e meus pensamentos. Minha gravidez já estava bem real pra mim, já que naquela altura do campeonato eu não tinha mais esperanças de sofrer um aborto expontâneo causado pelo tal remédio que eu havia tomado semanas antes. Eu estava apavorada, por ver que eu estava completamente sozinha naquele barco enorme e assustador. Eu tinha certeza absoluta que meus avós iriam me expulsar de casa quando soubessem e nem imaginei a remota possibilidade de meus pais me aceitarem de volta. Meu namorado, havia me abandonado grávida e a minha sogra, que sempre me ajudou, foi a primeira a me dar as costas quando eu estava precisando tanto. Imersa em tantos pensamentos, eu só sabia chorar! Não havia solução pra mim, eu não via saída! Estava completamente desesperada e só conseguia chorar e chorar o tempo todo ao ver aquela minha barriguinha e imaginar um serzinho lá dentro que precisa de mim e eu sem saber o que fazer. Foi a situação mais assustadora que uma menina de 17 anos poderia passar. Aquilo era demais pra mim. Já havia pensado em me matar diversas vezes, mas não encontrei coragem pra tentar. Graças a Deus...
Em uma noite dessas, de choro e tudo mais, tive a maior decisão da minha vida! Eu iria contar pra minha mãe sobre o que estava acontecendo. Me lembrei que pouco mais uma semana, meu pai havia sonhado que eu estava grávida, aquilo meio que me impulsionou a fazer o que eu estava prestes a fazer. Peguei o celular e disquei o número: caixa postal. Mandei mensagens de texto para outro celular que costumava ficar na casa dela (ela estava no trabalho) pedindo pra ela entrar em contato comigo assim que chegasse em casa. Não demorou muito e o celular tocou. Atendí e começamos a conversar sobre assuntos diversos, como sempre fazíamos normalmente. Quando a conversa terminou e ficamos sem assunto, eu já sabia que havia chegado a hora de contar pra ela. Meu coração estava acelerado no máximo e eu gaguejei: "ma-mãe? e-e-eu tô gra-grávida". O silêncio dominou a nossa linha telefônica. Eu já estava preparando meu velório quando perguntei pra ela se ainda estava tudo bem. E ela perguntou se eu queria matá-la com a voz meio chorosa. Eu continuei calada esperando a bronca que provavelmente eu iria escutar por mais algumas horas.
Pra minha surpresa total, a minha mãe, que cá entre nós, também engravidou aos 17 e sempre me aconselhou sobre isso, ficou completamente feliz! Disse que não acreditava naquilo, e me chamou pra voltar pra casa dela, porquê ela queria o neto lá com ela e não na casa dos outros! Ficamos mais alguns minutos conversando sobre isso, sobre médico, sobre minha barriga... Opa! Minha barriga! Ela estava louca pra me ver! kkkk Então marcamos um encontro e eu fui dormir com o maior sorriso do mundo em meu rosto, um alívio que não dá pra explicar. A gravidez poderia até ser difícil, mas ter alguém me apoiando não tinha preço.

Para as mamães adolescentes *-*

Eu respeito cada mãe adolescente. Cada garota que trocou suas festas por noites sem dormir em casa, com choro de bebê ao fundo. Respeito cada garota que escolheu ter e não abortar, como tantas pessoas. Respeito cada menina que equilibra filho, trabalho e escola. Respeito cada menina que foi julgada, mas que ama demais uma criança. Ser mãe é ser mãe, é lindo e é difícil, e eu respeito cada garota que aceitou essa missão difícil, numa fase difícil, com uma idade difícil e que só olhar pra aquele rostinho lindo é feliz! *-*

Retirado do blog da fofa Marlla Ariel *-*